sexta-feira, 4 de julho de 2008

Tempo Mediocre para Moçambique








Sob a baforada de um imenso charuto, Winston Churchill definiu para um persistente repórter a diferença entre a vulgaridade e a grandeza na política: “O político medíocre preocupa-se com as próximas eleições, o verdadeiro estadista preocupa-se com as próximas gerações.”


Hoje, a parcela de poder político, económico e militar mundial decresce। Se inserirmos na moldura a posição ocupada pela China, dilui-se, mais ainda, a idéia-força do Ocidente como civilização capaz de afectar a política, a economia e a segurança do planeta. Sob o intenso processo de deslocamento de poder para o Oriente e a monumental carga de problemas do lado de cá, a assertiva de Churchill funciona como um puxão de orelhas nas lideranças desses tempos medíocres.

Onde estão os estadistas? Quem é capaz de apontar um deles dentre os actuais mandatários em Moçambique?


No ar, além da provocação fica o desafio para se apontar um estadista।


Enquanto isso, entendamos que o fenómeno da maré vazante se agiganta porque a modernidade mudou os eixos da política. Tudo foi por águas abaixo com o esfacelamento das doutrinas. A queda do Muro de Berlim representou um marco. A democracia representativa, em novo formato, saiu da sala de estar dos valores para entrar na cozinha dos negócios. O socialismo de ontem passou a acolher o livre mercado. Os conflitos mudaram a razão: a arena de interesses invadiu o campo das ideias. E os mecanismos clássicos da política - partidos, representantes, parlamentos, voto – perderam substância. A imagem de fundo, resplandecente, é a do Estado-Espetáculo, onde se erigiu o altar da personalização do poder. É aí, sob o holofote da média, que cresce uma floresta de narcisos.


O cidadanismo, por sua vez, constrói fortalezas para a defesa de segmentos। Multiplicam-se as entidades intermediárias.


Já a política partidária falha no atendimento aos anseios colectivos। A sociedade distancia-se da esfera política. Partidos queimam ideários. Em vez de escola de cidadania para formar líderes, transformam-se em abrigos para acolher pessoas que usam a representação como escada de ascensão. O conceito aristotélico de política – missão a serviço da utilidade colectiva – parece não caber no bolso do utilitarismo. O negócio político torna-se rentável, provocando ferocidade na competição.


Forte como nunca, o Executivo manobra o sistema parlamentar, surripiando parte de sua independência। A torneira aberta abre fissuras na malha administrativa. Maquinações envolvem empresários, políticos e quadros da administração. Os espaços abertos na administração vão contribuindo para expandir o PIB da corrupção.


Centrais Sindicais, partidos políticos e burocracia. A feição da política Moçambicana nunca esteve tão esburacada como nesses tempos de palanque aberto.Se o leitor chegou a este final sem haver descoberto um estadista da actualidade, não deve desistir. Faça um preito ao velho Winston, lutando, a seu modo, para formar cidadãos que pensem nas gerações futuras.

2 comentários:

Guilherme Freitas disse...

Meu amigo, te escrevo do outro lado do mundo e o que se passa com a política brasileira também é vergonhoso. Políticos corruptos, que roubam e não são presos, que vivem como reis e rainhas e que em ano eleitoral tentam realizar algo. O Brasil não é muito diferente de Moçambique não. Um grande abraço, Guilherme Freitas
www.blogdcomunicacao.com.br

Michele M. Didier Peixe disse...

Engraçado... ao ler a reportagem, veio à minha cabeça o mesmo pensamento que o Guilherme aqui deixou. Creio que a corrupção e a impunidade mediante a importância na pirâmide social seja um problema da humanidade em geral. O fato é que os países de terceiro mundo ficam mais expostos às divulgações das notícias. Os de primeiro fazem tudo na moita... segredo nacional...

O que falta ao mundo é algo muito simples... AMOR AO PRÓXIMO. Sim... aquele amor que tem palavra, que revela comprometimento, amor desinteressado, leal e puro.

Um forte abraço.