segunda-feira, 30 de junho de 2008

Algumas figuras na vida da beira




AO longo dos 100 anos muitas foram as figuras que, cada uma à sua maneira, contribuíram pedra a pedra para que a cidade da Beira fosse o que hoje é.

Recordamos, mesmo assim, nomes como o do D. Sebastião Soares de Resende, primeiro bispo da Beira e algumas figuras sobretudo do meio desportivo e cultural, na certeza de que muitas outras ficaram fora desta lista por absoluta escassez de informações e fontes.


Dom Sebastião Soares de Resende, o primeiro Bispo Católico da Beira, nascido a 14 de Julho de 1906, em Milheiros de Poiares (Porto), em Portugal, trabalhou na Beira, entre 1943 a 1967।



Segundo o Boletim do Arquivo Histórico de 1989, Sebastião Resende era considerado pelas autoridades portuguesas do seu tempo um “quebra cabeças” pelas insistentes críticas à política colonial, temido pelos administradores das circunscrições administrativas da área da sua diocese।



A história referente ao Bispo foi da lavra do académico moçambicano Gulamo Tajú। Conta-se com mais pormenores a titânica luta que aquele clérigo travava para libertar o homem da escravidão.



Recorreu-se à intimidade do diário pessoal de Dom Resende, no qual exprimia os seus sentimentos sobre o que via no seu quotidiano। Num dos trechos, o Bispo escreveu em Agosto de 1944 que “é preciso que cesse o abuso de se construir grandes fortunas com o sangue dos pretos”.

Devido aos abusos constantes que se assistiam na era colonial, aquele Bispo fundou um jornal, o actual “Diário de Moçambique”।

Antes disso, o mesmo havia escrito em Outubro de 1944, no seu diário pessoal, um longo trecho com os seguintes dizeres: “há muitas serrações à beira do Caminho de Ferro। Os pretos vestem saco e vi que alguns trabalham no sábado à tarde. Não há maneira de convencer que os pretos são pessoas humanas. Quero desembaraçar-me de certos assuntos para me consagrar a ver estes acampamentos e verificar o que há de condenável em tudo isto. Uma vez que conheça abusos hei-de empregar todos os meios para debelar, ainda que seja a imprensa”.

D. Sebastião Soares de Resende foi assim uma figura transcendental no desenvolvimento da cidade da Beira। Os seus restos mortais jazem logo à entrada do Cemitério da Santa Isabel no centro da cidade da Beira.

DAVID MAZEMBE

David Mazembe, músico que deixou de estar no mundo dos vivos, é tido como percursor da música de raiz moçambicana por estas bandas. Através da investigação a partir da base, desenvolveu várias ritmos das regiões da província de Sofala. Mazembe, que desde os seus primeiros 12 meses viveu na cidade da Beira, é apontado por vários artistas por nós contactados como sendo uma das lendas viva da música ligeira moçambicana.

Mazembe foi dançarino, actor e cantor। Ele começou a carreira artística a partir de 1971, época colonial, como intérprete do soul music.

Mazembe, versava em suas obras as questões sociais, razão pelo qual se tornou muito cedo num cantor popular। Todas as suas obras têm sempre a base na raiz tradicional.

“Mazembe foi a peça fundamental do projecto Ndongue é um projecto que nós desenvolvemos, que foi a Companhia de Canto e Dança da Casa Cultura de Sofala”,.

FAMÍLIA CONDE

A família Conde, que se evidenciou na área desportiva na cidade da Beira, em particular e no país, em geral, é tida como tendo desempenhado um papel preponderante para o desenvolvimento do desporto।

Orlando Conde, em representação da família, disse que a educação física na escola primária António Enes, actual Heróis Moçambicanos, foi o que evidenciou o amor pelo desporto para toda a família।

“Felizardo, eu (Orlando), Almiro, Geraldo, Elcídio, Perides e Chiquinho, iniciamos todos a actividade desportiva na escola primária António Enes, hoje Heróis Moçambicanos। Na escola davam educação física e qualquer um de nós evidenciou-se nas modalidades que na altura se leccionavam na escola.

Foi assim que entramos no Ferroviário da Beira। Neste clube, o mais velho, Felizardo, já falecido, foi o primeiro a jogar Hóquei em Patins. Mais tarde eu fui jogar basquetebol”.

Orlando disse que o exercício não só da família Conde, como dos outros que se evidenciaram na actividade desportiva teve um aspecto importante, principalmente na era colonial। “Nós afirmamo-nos numa sociedade em que não éramos conhecidos, mas deixamos a marca, e os que se afirmavam seres superiores não atingiam o nível técnico que nós atingimos”.

Conde lamentou o facto de a nova geração ter deixado de tê-los como uma referência, apesar de reconhecer que algumas pessoas pelo menos conhecem e reconhecem os feitos do seu mais novo, Chiquinho, neste caso particular comentou da seguinte maneira: “estou em crer que Chiquinho marcou a sua época e hoje sente-se que algumas pessoas falam dele”।
Ainda sobre este dilema em que acusa a falta de referência em alguns círculos, Conde deixou claro que não está a reivindicar qualquer titulo ou uma coisa parecida, mas “como se pode depreender, volvidos todos estes anos depois da Independência, modéstia à parte, até hoje ainda não apareceu nenhum jogador a fazer aquilo que eu fazia, para que pudesse apagar a minha imagem। Há aqui pessoas que viveram os meus momentos, mas estranhamente não falam disso agora. Em Portugal as pessoas ainda falam de Matateu, Eusébio, Simões e outros nomes que fizeram história”.

Falando sobre o centenário da cidade da Beira, Conde, que nasceu a 23 de Dezembro de 1954 naquela urbe, disse tratar-se de um momento de alegria।

Disse que há falta na cidade da Beira de grandes projectos para catapultar a vida económica da urbe। “A cidade está a ficar diferente, se tivermos que comparar com os outros tempos e também em termos de limpeza, com outras cidades, a Beira é bonita.

Orlando Conde é hoje homem de negócios e diz mesmo que a vida familiar é estável। “Almiro é bancário, Geraldo é economista, Elcídio está na EDM, Chiquinho, que faltam-lhe dois anos para terminar o curso de engenharia civil, quer apostar no desporto, a única irmã que nós temos, a Ivette, está connosco na Beira, estamos bem. Eu emprego 28 pessoas, para o ano irei expandir para 40. O meu apelo é que todos os beirenses e amigos da Beira venham investir na nossa cidade para desenvolvermos a nossa economia”.

RUI MARCOS

Ainda este ano a cidade da Beira viu partir uma das suas grandes figuras। Trata-se de Rui Marcos que teve o mérito de ser o primeiro capitão da selecção de futebol de Moçambique independente. Rui Marcos era igualmente de uma família de futebolistas como foram os casos de Landocha e Marcoto, que se notabilizaram ao serviço do Ferroviário e do Sporting, depois Palmeiras da Beira.

No hóquei em patins houve nomes como o Gilberto Correia। No basquete Augusto Vaz que durante muitos garantiu que a modalidade não desaparecesse principalmente depois da independência nacional.

Uma referência aqui para a equipa principal de futebol do Têxtil do Púnguè que foi campeã nacional em 1981, o único titulo de que Sofala e a Beira se orgulham até este momento। Estavam nessa célebre equipa nomes como Betinho e Totó, falecidos, Lucas II, Nico, Manecas, Maenga, Chinguia e outros.

CARLOS BEIRÃO

Para falarmos deste artista que se notabilizou na cidade da Beira, e que fez furor nas artes plásticas, na música, no desporto, na literatura na recreação, contactamos o músico Jorge Mamad, que conviveu com finado durante muitos anos naquela urbe।

Mamad recordou que Carlos Beirão foi uma das pessoas que revolucionou o carnaval na cidade da Beira e desde que perdeu a vida o carnaval deixou de existir।

É que para Beirão, o trabalho devia sempre ter perfeição। “Foi uma das pessoas que mexia com a arte na Beira, era uma referência. Tínhamos uma feira comercial que funcionou na Casa dos Bicos, sob sua direcção. Como pessoa, ele gostava de ensinar, se houvesse qualquer problema que pusesse alguém a zangar, sempre procurava dialogar. Veja que foi com a sua incondicional ajuda que foi criada uma das maiores bandas musicais da cidade, o agrupamento Rastilho”.
Beirão deixou vários quadros artísticos e gravou entre outras músicas na RM, a Katchulima e Wataica João।

Beirão teve uma grande contribuição no basquetebol no qual ganhou o único titulo nacional de seniores femininos pelo Ferroviário da Beira। Na literatura escreveu muita poesia alguma da qual vem antologiada em “As Palavras Amadurecem”, edições Diálogo, do jornal Diário de Moçambique.

Na musica outras figuras deram muito à cidade da Beira, tais são os casos de Thazi, provavelmente o mais popular de todos, Romualdo, Madala, Jah Bee, Orlando Reis, Inácio de Sousa e outros. Na literatura há nomes como Ascêncio de Freitas, Heliodoro Baptista, Simião Cachamba, Bahassane Adamogy







Um comentário:

Nhandoro Sabonete disse...

como aprendermos dependemos destes herois