quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Imprensa britânica elogia livro de Mia Couto



O JORNAL britânico “The Independent” afirmou que o romance “Um Rio Chamado Tempo” do escritor moçambicano Mia Couto concilia a “melhor literatura com mistério e o sentimento da revelação”। Num artigo intitulado “Guerra e Paz na casa dos espíritos”, o artigo elogia a versão inglesa do romance moçambicano, lançado este mês na Inglaterra. O lançamento contou com a presença do escritor.


A escrita de Mia Couto, diz o jornal, é uma viagem entre universos de transição em que coabitam os antepassados, os vivos e aqueles que estão ainda por nascer”। A mensagem do autor actua como uma prova de como as lendas da oralidade podem ser recebida em qualquer idioma”.


A prosa de Mia Couto, prossegue o artigo, tece a costura que une a história da sua nação à mitologia ancestral. O “Independente” refere ainda que o romance “Um Rio chamado Tempo” transporta o leitor para uma ilha em que o passado, o presente e o futuro coexistem e os mortos permanecem como uma indelével presença”.

“A história da casa em que se desenvolve a narrativa é narrada num tom mesclado de choros de desespero, murmúrios sedutores e risos da infância., escreve a crítica literária publicada na edição de 12 de Julho.

Mia Couto esteve na Inglaterra para o lançamento desta obra, onde participou igualmente no festival denominado “International New Writing World”।


Mia Couto (Beira, Moçambique, 1955) é um dos escritores moçambicanos mais conhecidos no estrangeiro। António Emílio Leite Couto ganhou o nome Mia do irmãozinho que não conseguia dizer "Emílio". Segundo o próprio autor a utilização deste apelido tem a ver com sua paixão pelos gatos e desde pequeno dizia a sua família que queria ser um deles.


Nasceu na Beira, a segunda cidade de Moçambique, em 1955. Ele disse uma vez que não tinha uma "terra-mãe" - tinha uma "água-mãe", referindo-se à tendência daquela cidade baixa e localizada à beira do Oceano Índico para ficar inundada।


Iniciou o curso de Medicina ao mesmo tempo que se iniciava no jornalismo e abandonou aquele curso para se dedicar a tempo inteiro à segunda ocupação. Foi director da Agência de Informação de Moçambique e mais tarde tirou o curso de Biologia, profissão que exerce até agora. Foi recentemente entrevistado pela revista ISTOÉ



Muitos dos seus livros estão traduzidos em alemão, francês, catalão, inglês e italiano.


Estreou-se no prelo com um livro de Poesia - Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Mas já antes tinha sido antologiado por outro dos grandes poetas moçambicanos, Orlando Mendes (outro biólogo), em 1980, numa edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, resultante duma palestra na Organização Nacional dos Jornalistas (actual Sindicato), intitulada "Sobre Literatura Moçambicana"।


Em 1999, a Editorial Caminho (que publica em Portugal as obras de Mia) relançou Raiz de Orvalho e outros poemas que, em 2001 teve sua 3ª edição.

Depois, estreou-se nos contos e numa nova maneira de falar - ou "falinventar" - português, que continua a ser o seu "ex-libris"। Nesta categoria de contos publicou:


Vozes Anoitecidas (1ª ed. da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1986; 1ª ed. Caminho, em 1987; 8ª ed. em 2006; Grande Prémio da Ficção Narrativa em 1990, ex aequo)
Cada Homem é uma Raça (1ª ed। da Caminho em
1990; 9ª ed., 2005)
Estórias Abensonhadas (1ª ed। da Caminho, em
1994; 7ª ed. em 2003)
Contos do Nascer da Terra (1ª ed। da Caminho, em
1997; 5ª ed. em 2002)

Na Berma de Nenhuma Estrada (1ª ed. da Caminho em 1999; 3ª ed. em 2003)

O Fio das Missangas (1ª ed. da Caminho em 2003; 4ª ed. em 2004)

Para além disso, publicou em livros, algumas das suas crónicas, que continuam a ser coluna num dos semanários publicados em Maputo, capital de Moçambique:

Cronicando (1ª ed. em 1988; 1ª ed. da Caminho em 1991; 7ª ed. em 2003; Prémio Nacional de Jornalismo Areosa Pena, em 1989)

O País do Queixa Andar (2003)

Pensatempos. Textos de Opinião (1ª e 2ª ed. da Caminho em 2005)
E, naturalmente, não deixou de lado a novela, tendo publicado:
Terra Sonâmbula (1ª ed. da Caminho em 1992; 8ª ed. em 2004; Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995; considerado por um juri na Feira Internacional do Zimbabwe, um dos doze melhores livros africanos do século XX)

A Varanda do Frangipani (1ª ed. da Caminho em 1996; 7ª ed. em 2003)

Mar Me Quer (1ª ed. Parque EXPO/NJIRA em 1998, como contribuição para o pavilhão de Moçambique na Exposição Mundial EXPO '98 em Lisboa; 1ª ed. da Caminho em 2000; 8ª ed. em 2004)

Vinte e Zinco (1ª ed. da Caminho em 1999; 2ª ed. em 2004)

O Último Voo do Flamingo (1ª ed. da Caminho em 2000; 4ª ed. em 2004; Prémio Mário António de Ficção)

O Gato e o Escuro, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Caminho em 2001; 2ª ed. em 2003)

Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (1ª ed. da Caminho em 2002; 3ª ed. em 2004; rodado em filme pelo português José Carlos Oliveira)

A Chuva Pasmada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Njira em 2004)
O Outro Pé da Sereia (1ª ed. da Caminho em 2006)

Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008)

Prémios
Em 1999, Mia Couto recebeu o Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra।

Em 2007 foi o vencedor do prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura।

Academia Brasileira

O escritor Mia Couto foi escolhido para ocupar, na categoria de Sócio Correspondente, a Cadeira número 5, que tem por Patrono Dom Francisco de Sousa. Sua eleição deu-se em 1998, sendo ali o sexto ocupante.

Um comentário:

Guilherme Freitas disse...

Excelente artigo Traquinho. Uma boa dica da literatura moçambicana. Vou procurar este livro por aqui. Um abraço.