Se o Jornalismo Livre e Independente, Dedicado a Reportar a Verdade Sem Receio ou Favores For Sufocado, Então o Oxigénio Sai da Democracia.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
O maquiavelismo de Ziqo
Vestido de branco, uma cor que simboliza paz de espírito, cabisbaixo e com ar de arrependido, Ziqo teceu algumas explicações em torno das polémicas imagens exibidas vezes sem conta na internet. Até aqui, tudo bem, afinal de contas todo ser humano neste mundo está livre de pedir desculpas..
Só que este pedido de desculpas do Ziqo transporta consigo algo estranho, uma carga de mentira e de algum egoísmo, senão vejamos:
Passa sensivelmente um mês e meio que estas imagens começaram a evadir os nossos e-mails, porque é que o Ziqo só ontem apareceu na televisão para se explicar sobre o assunto? Para mim este pedido de desculpas é extemporâneo e só pode ter uma explicação: o músico não pesou as consequências deste mini filme pornográfico, o Ziqo achava que o mundo fosse ovacionar a sua masculinidade, as "boazudas" (como ele apelida as mulheres) iam todas se subornar perante o machão, só que o tiro saiu pela ronha, a sociedade se rebelou perante estas imagens, alguns patrocinadores retiraram o seu apoio e foi movido uma acção judicial contra a sua pessoa e perante este facto nada restava senão desenhar uma estratégia maquiavelica para limpar o lodo que ofuscava a sua imagem, o seu lustre. Apareceu na televisão a oferecer ajuda aos pobres, e como esta manigância não resultasse, precipitou-se a ir à televisão para prestar declarações maquiavelicamente preparadas, desculpas que só enganaram alguns distraídos.
Ziqo a dada altura dá impressão que ele foi vitima de uma armadilha, no meu entender ele foi vitima de si próprio, da sua irreflexão, da sua maluquice e de uma obsessão sexual compulsiva que o levou a nos propiciar actos de soberba hediondice. Só as suas musicas são uma confissão da sua tendência irreversível à impropriedade e ao culto da promiscuidade. Para mim, ele foi conduzido por uma americanomania decadente que afecta alguns músicos da sua estirpe.
E eu me arrisco em dizer que o Ziqo produziu estas imagens para divulga-las sim, para obter aquela gozação doentia típica de um tarado sexual. Porque, ele sofre de um transtorno sexual chamado parafilia de exibicionismo, que é descrita pela presença de fantasias ou desejos sexuais excitantes e constante relacionados, neste caso, com a carência continuada de obter prazer expondo-se sexualmente a pessoas estranhas, sem a sua anuência ou de engendrar filmagens para que terceiros possam vê-las e dai obter prazer.
Indo directamente às declarações do Zico, a dado passo o cantor alega que fez as filmagens para consumo próprio. Cada um é livre de fazer as filmagens que bem entender, no entanto, temos de ter o cuidado de averiguar se os participantes principais das mesmas estão de acordo com as filmagens. Parece-me que, o processo-crime terá sido instituído, demandado pela família da infeliz que intervém no vídeo, por acha-lo imoral e uma violação à privacidade e ao bom nome, o que supõe que as filmagens foram feitas sem a anuência da jovem.
Deste modo, há um desvio da tendência a normalidade sexual, sendo esta relacionada ao facto da sexualidade ser compartilhada de forma que o casal esteja em concordância com o que é feito, sem sinal aniquilador para o individuo ou para o parceiro e não vitupera os princípios usuais à sociedade em que vive.
Por outro lado, me salta a ideia de que o homem do "dog style" não pensou nem tão pouco na sua noiva e muito menos nos seus filhos, ao guardar no seu telemóvel cenas comprometedoras como estas. Adianto, também, que ao referir que perdeu o seu telemóvel em Agosto e que alguém usou as imagens para o prejudicar, isto só pode ser coisa de cinema indiano, nê!
Segundo, o pedido de desculpas de Ziqo espelha uma privação total da moral e da ética por parte deste cantor, quando pede desculpas aos fãs e à sua noiva em primeiro lugar e esquecendo de pedir perdão a coitada rapariga, que é por sinal a principal vitima destes actos macabros, e a sociedade em geral. Porque, nós outros, que não somos seus fãs, fomos ultrajados por este homem e merecemos um pedido de desculpas.
E por fim, dar um conselho a massa juvenil feminina, que largas vezes se deixa embustear por pervertidos sexuais, caindo muitas vezes na lábia de pousar para o garoto charmoso, famoso, etc. nunca permitam que os vossos namorados ou amantes vos tirem imagens intimas, porque uma coisa é certa, a relação acaba e a imagem continua. Exemplos infinitos nos aparecem de vídeos ou fotografias que são lançados na internet por gente insalubre e de má fé, que acaba denegrindo a vossa imagem. Vos digo ainda, que muito custará para repor o bom nome desta desafortunada rapariga e da sua família. As feridas, muitas vezes, tardam a cicatrizar-se.
Kanda
Machope! Nao faz mal!
Artigo escrito por: dr. Kanda
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Escola de Comunicação e Arte (ECA) deve descutir “O futuro dos Jornalistas, Caso Moçambicano”.
O que leva-nos a formular as seguintes questoes: Qual será o futuro do jornal impresso? Os jornalistas estão perdendo o seu papel ? Será que o jornalista desaparecerá?
É importante falar sobre o desafio de enfrentar as mudanças de paradigmas, destacando o conceito de convergência dos mídias, que é a soma de “tudo o que há de digital com a interactividade”.
Sublinhando o facto do modelo da TV digital japonesa ser a escolha de vários paises e por esta privilegiar a imagem, a mobilidade, a portabilidade e a robustez do sinal.
Hoje, com o desenvolvimento das tecnologias de informação, as pessoas comuns podem fazer o que só profissionais faziam.
Exigindo ao Profissional a necessidade de oferecer mais. O que faz uma crítica ao atraso da reformulação do currículo em relação ao surgimento das novas tecnologias.
A universidade só ajuda, mas não forma profissionais. No mercado da comunicacao Social, o que conta é a experiência, os aspectos fundamentais de produção, como trabalho em equipe, treinamento, ferramentas adequadas, tempo de cobertura e o conteúdo da matéria.
Dentre as preocupações acarretadas por estas questoes, acrescenta-se o facto das empresas de comunicação Social não estarem preocupadas em criar novas formas de audiências com medo de falir as tradicionais.
Vamos assistindo a perda da proeminência do jornalista.
Um outro tema que importa discutir sao as “Notícias do Celular”. Considerando que existem várias formas de envio de informação para e pelo o celular, sua viabilidade econômica, rapidez e vantagens.
As novas experiência com o blog, Webtv, Weblogging e Comunicação Móvel, resultado do desenvolvimento de Novas Tecnologias e Novas Linguagens, faz com que o blog seja hoje, um dos espacos mais usado para a exposicao de ideias e debates.
Este nao exige mais rigor na apuração das notícias, pois “você não tem patrão, você comanda, não há editor.
Com isso, aumenta a liberdade e, ao mesmo tempo, as possibilidades de acertos e de erros. Além dos problemas técnicos, o blog exige muito da pessoa por ser extremamente pessoal.
Não é possível não dar bola ao leitor que está sempre esperando a opinião do blogueiro, so resta a ECA tomar nota.
terça-feira, 25 de março de 2008
Jornalismo e a crise política em Moçambique
Perplexo com a observação deste político e com a crise política que assola o país e reparando que a sociedade direciona sua atenção à mídia, em busca de informações, contextualização e interpretação dos factos do mundo político, a fim de entender as implicações diretas no dia-a-dia de cada cidadão.
Neste cenário em que repórteres especializados e comentaristas políticos exercem grande influência na formação da opinião pública e conscientização dos agentes sociais, acredito que os jornalistas Moçambicanos parecem apostados em dividir-se ainda mais, , poucos se colocando ao lado do importante – o Profissionalismo.
Ora, como diz um jornalista angolano «Se o Jornalista não procura saber o que se passa no cerne dos problemas é, com certeza, um imbecil. Se o Jornalista consegue saber o que se passa mas, eventualmente, se cala é um criminoso. A tendência actual é para que sejamos todos imbecis e criminosos.»
terça-feira, 11 de março de 2008
Partidos políticos devem deixar de financiar Jornalistas oportunistas.
Desde a década de 90 que o país foi assistindo ao surgimento de vários Orgãos de comunicação Social tal como, partidos políticos, muitos deles, até, sem qualquer expressividade na arena política nacional, abrindo dúvidas em relação aos objectivos para os quais foram criados. Por esta razão, sou de opinião que os Moçambicanos não devem(rião) servir de fonte de enriquecimento de oportunistas que criam Orgãos de comunicação Social com um simples propósito de amealharem dinheiro para fins pessoais ou de interesses inconfessos.
Em outras palavras, os Partidos políticos devem deixar de financiar jornais obscuros. Esta posição evitaria a especulação no seio Comunicação Social com propósitos mercantilistas, que não observam os pressupostos mínimos e indispensáveis para assim se tratarem.
Em mim, residi a preocupação em saber se eles/estes, para além do poder que almejam, possuem outros objectivos. “O número não é problema, até porque muitos, com o amadurecimento do sistema democrático acabam por se diluir ou, como se diz na gíria, ficam pelo caminho”.
Enfim, não importa o que estará ou não por detrás da proliferação de individuos que se tratam por Jornalista mesmos, pois em qualquer sociedade eles são tão necessários como controversos, até porque a definição de “Quem é jornalista em Moçambique” não é fácil de encontrar, chegando-se a confundir muitas vezes. Recusando em algumas situações reconhecerem-se como tais “ Amadores”para se furtar das críticas que contra eles são dirigidas.
Em qualquer país que opta por um regime democrático, os medias surgem para dar corpo à democracia, onde as pessoas sentem imediatamente a necessidade de ter um papel activo na organização da própria sociedade, mas acredito que exista no país muitos “candongueiros” infiltrados na classe jornalistica.
É possível fazer política sem ser necessário comprar os jornalistas
quarta-feira, 5 de março de 2008
O conceito de serviço público em Moçambique, a partir do exemplo da Televisão de Moçambique (TVM).
Ora acredito que existe uma distinção entre o serviço público tal como tem sido anunciado nas leis e nos contratos estabelecidos, entre o Estado e a TVM, e o que tem sido implementado. E, diante de duas realidades diferenciadas. Temos no quadro legislativo e regulador uma preocupação com os media, objectivos culturais, objectivos informativos, mas aquilo a que temos assistido é um deteriorar do serviço público, uma progressiva comercialização da programação. Entretanto, no nosso país isto parece desconhecido.
Um outro ponto, importante e que se devia discutir em torno dele é a questão das publicidades. Não se pode desligar a publicidade de toda uma estratégia do serviço público, e digamos, de todo um conjunto de financiamento de canais televisivos num determinado país.
Admito a possibilidade de um serviço público de ter publicidade dentro de determinados limites, mas não é necessariamente esta a melhor forma. Há várias possibilidades: no Reino Unido, por exemplo, a BBC não tem publicidade. Portanto, penso que a TVM deveria ter apenas publicidade institucional, o que significa na prática que essa publicidade que não entra na TVM será deslocada para as televisões privadas, por serem as mais cruscificadas.
Eu defendo a existência de um modelo que compreenda a Televisão pública e a privada. Portanto, eu sou a favor da idéia: que a TV pública devia ter outros canais ao nivel regional ou provincial . Que tornaria viável, o que é perfeitamente possível. Com funções diferentes, o que seria bom do ponto de vista da propriedade, a lógica não ser exatamente a mesma...
Agora, termos uma televisão do Estado não significa termos uma televisão do governo. É necessário garantir mecanismos para que as televisões do Estado consigam independência financeira relativamente aos governos do dia e isso me parece que não temos conseguido em Moçambique.
A TVM é do Estado - propriedade do Estado - mas não deixa de ser uma Televisão pública, ou seja, prestar um serviço público. O que não me agrada é a questão da qualidade deste serviço público e a possibilidade da TVM estar oferecendo um serviço de maior qualidade que corresponda às exigências de uma cidadania, com maior responsabilidade social...
A história da Televisão de Moçambique (TVM) não é uma história animadora. É uma história bastante trágica. Se quisermos analisar bem, sempre foi uma empresa que começou no tempo do Socialismo-utópico, sempre a serviço do poder - e este, autoritário. Depois, com a democracia, a TVM cresceu, desenvolveu, transformou-se, mas nunca deixou de estar sob a alçada do poder político de formas mais ou menos sutis. Foi muito subserviente ao poder político. Penso que a TVM não tem uma história animadora, mas isso não significa que as coisas têm que ser sempre assim.
Não significa que não precisa mudar. Penso que a TVM poderá se afirmar, como um verdadeiro serviço público de televisão. Pode implementar uma outra realidade. A TVM sempre teve legislação, sempre teve contratos de concessão que lhe permitiriam ir mais longe, permitiriam fazer-se posicionar enquanto estação de serviço público completamente diferente.
A verdade é que a TVM nunca teve administrações que o quisessem fazer, nem condições políticas, econômicas... Nunca tiveram de facto, condições para implementar e garantir um verdadeiro serviço público de televisão. Contudo, não devemos ser derrotistas. A TVM pode se transformar numa empresa com características diferentes, pode prestar um serviço melhor. Mas não é muito animadora sua história!
Entretanto para finalizar, penso que as televisões na sua grelha também são uma narrativa, são discurso e uma forma de um país se dizer, se contar. Portanto, é natural que nós, como cidadãos, como consumidores, telespectadores, aquilo que nós ouvimos e aquilo a que nós temos acesso contribuem para nós nos pensarmos, contribuem para o desenvolvimento de uma imagem de nós próprios.
Portanto, eu penso que a televisão tem um papel quanto à forma como os Moçambicanos se vêem a si próprios. Porque aquilo que é narrado, seja nas televisões, nos telejornais, na ficção nacional e etc, ajuda-nos a pensar a nós próprios. Neste sentido, não apenas a Televisão pública, mas em geral, contribui para essa construção identitária - para nos vermos, nos olharmos, nos pensarmos com as características que são nossas e não de outras. A televisão moçambicana não diz Malawi, Zimbabwe, diz Moçambiquel. Diz-nos a nós. Penso que não há um esforço deliberado no sentido na manutenção ou defesa dos valores que são muitas vezes associados à nação, ao povo. Tudo acontece, mas de maneira muito sutil, a partir da imagem que construímos e que reconstruímos sobre nós próprios.
Não será tempo de pensar numa TVM melhor ?