Se o Jornalismo Livre e Independente, Dedicado a Reportar a Verdade Sem Receio ou Favores For Sufocado, Então o Oxigénio Sai da Democracia.
terça-feira, 25 de março de 2008
Jornalismo e a crise política em Moçambique
Perplexo com a observação deste político e com a crise política que assola o país e reparando que a sociedade direciona sua atenção à mídia, em busca de informações, contextualização e interpretação dos factos do mundo político, a fim de entender as implicações diretas no dia-a-dia de cada cidadão.
Neste cenário em que repórteres especializados e comentaristas políticos exercem grande influência na formação da opinião pública e conscientização dos agentes sociais, acredito que os jornalistas Moçambicanos parecem apostados em dividir-se ainda mais, , poucos se colocando ao lado do importante – o Profissionalismo.
Ora, como diz um jornalista angolano «Se o Jornalista não procura saber o que se passa no cerne dos problemas é, com certeza, um imbecil. Se o Jornalista consegue saber o que se passa mas, eventualmente, se cala é um criminoso. A tendência actual é para que sejamos todos imbecis e criminosos.»
terça-feira, 11 de março de 2008
Partidos políticos devem deixar de financiar Jornalistas oportunistas.
Desde a década de 90 que o país foi assistindo ao surgimento de vários Orgãos de comunicação Social tal como, partidos políticos, muitos deles, até, sem qualquer expressividade na arena política nacional, abrindo dúvidas em relação aos objectivos para os quais foram criados. Por esta razão, sou de opinião que os Moçambicanos não devem(rião) servir de fonte de enriquecimento de oportunistas que criam Orgãos de comunicação Social com um simples propósito de amealharem dinheiro para fins pessoais ou de interesses inconfessos.
Em outras palavras, os Partidos políticos devem deixar de financiar jornais obscuros. Esta posição evitaria a especulação no seio Comunicação Social com propósitos mercantilistas, que não observam os pressupostos mínimos e indispensáveis para assim se tratarem.
Em mim, residi a preocupação em saber se eles/estes, para além do poder que almejam, possuem outros objectivos. “O número não é problema, até porque muitos, com o amadurecimento do sistema democrático acabam por se diluir ou, como se diz na gíria, ficam pelo caminho”.
Enfim, não importa o que estará ou não por detrás da proliferação de individuos que se tratam por Jornalista mesmos, pois em qualquer sociedade eles são tão necessários como controversos, até porque a definição de “Quem é jornalista em Moçambique” não é fácil de encontrar, chegando-se a confundir muitas vezes. Recusando em algumas situações reconhecerem-se como tais “ Amadores”para se furtar das críticas que contra eles são dirigidas.
Em qualquer país que opta por um regime democrático, os medias surgem para dar corpo à democracia, onde as pessoas sentem imediatamente a necessidade de ter um papel activo na organização da própria sociedade, mas acredito que exista no país muitos “candongueiros” infiltrados na classe jornalistica.
É possível fazer política sem ser necessário comprar os jornalistas
quarta-feira, 5 de março de 2008
O conceito de serviço público em Moçambique, a partir do exemplo da Televisão de Moçambique (TVM).
Ora acredito que existe uma distinção entre o serviço público tal como tem sido anunciado nas leis e nos contratos estabelecidos, entre o Estado e a TVM, e o que tem sido implementado. E, diante de duas realidades diferenciadas. Temos no quadro legislativo e regulador uma preocupação com os media, objectivos culturais, objectivos informativos, mas aquilo a que temos assistido é um deteriorar do serviço público, uma progressiva comercialização da programação. Entretanto, no nosso país isto parece desconhecido.
Um outro ponto, importante e que se devia discutir em torno dele é a questão das publicidades. Não se pode desligar a publicidade de toda uma estratégia do serviço público, e digamos, de todo um conjunto de financiamento de canais televisivos num determinado país.
Admito a possibilidade de um serviço público de ter publicidade dentro de determinados limites, mas não é necessariamente esta a melhor forma. Há várias possibilidades: no Reino Unido, por exemplo, a BBC não tem publicidade. Portanto, penso que a TVM deveria ter apenas publicidade institucional, o que significa na prática que essa publicidade que não entra na TVM será deslocada para as televisões privadas, por serem as mais cruscificadas.
Eu defendo a existência de um modelo que compreenda a Televisão pública e a privada. Portanto, eu sou a favor da idéia: que a TV pública devia ter outros canais ao nivel regional ou provincial . Que tornaria viável, o que é perfeitamente possível. Com funções diferentes, o que seria bom do ponto de vista da propriedade, a lógica não ser exatamente a mesma...
Agora, termos uma televisão do Estado não significa termos uma televisão do governo. É necessário garantir mecanismos para que as televisões do Estado consigam independência financeira relativamente aos governos do dia e isso me parece que não temos conseguido em Moçambique.
A TVM é do Estado - propriedade do Estado - mas não deixa de ser uma Televisão pública, ou seja, prestar um serviço público. O que não me agrada é a questão da qualidade deste serviço público e a possibilidade da TVM estar oferecendo um serviço de maior qualidade que corresponda às exigências de uma cidadania, com maior responsabilidade social...
A história da Televisão de Moçambique (TVM) não é uma história animadora. É uma história bastante trágica. Se quisermos analisar bem, sempre foi uma empresa que começou no tempo do Socialismo-utópico, sempre a serviço do poder - e este, autoritário. Depois, com a democracia, a TVM cresceu, desenvolveu, transformou-se, mas nunca deixou de estar sob a alçada do poder político de formas mais ou menos sutis. Foi muito subserviente ao poder político. Penso que a TVM não tem uma história animadora, mas isso não significa que as coisas têm que ser sempre assim.
Não significa que não precisa mudar. Penso que a TVM poderá se afirmar, como um verdadeiro serviço público de televisão. Pode implementar uma outra realidade. A TVM sempre teve legislação, sempre teve contratos de concessão que lhe permitiriam ir mais longe, permitiriam fazer-se posicionar enquanto estação de serviço público completamente diferente.
A verdade é que a TVM nunca teve administrações que o quisessem fazer, nem condições políticas, econômicas... Nunca tiveram de facto, condições para implementar e garantir um verdadeiro serviço público de televisão. Contudo, não devemos ser derrotistas. A TVM pode se transformar numa empresa com características diferentes, pode prestar um serviço melhor. Mas não é muito animadora sua história!
Entretanto para finalizar, penso que as televisões na sua grelha também são uma narrativa, são discurso e uma forma de um país se dizer, se contar. Portanto, é natural que nós, como cidadãos, como consumidores, telespectadores, aquilo que nós ouvimos e aquilo a que nós temos acesso contribuem para nós nos pensarmos, contribuem para o desenvolvimento de uma imagem de nós próprios.
Portanto, eu penso que a televisão tem um papel quanto à forma como os Moçambicanos se vêem a si próprios. Porque aquilo que é narrado, seja nas televisões, nos telejornais, na ficção nacional e etc, ajuda-nos a pensar a nós próprios. Neste sentido, não apenas a Televisão pública, mas em geral, contribui para essa construção identitária - para nos vermos, nos olharmos, nos pensarmos com as características que são nossas e não de outras. A televisão moçambicana não diz Malawi, Zimbabwe, diz Moçambiquel. Diz-nos a nós. Penso que não há um esforço deliberado no sentido na manutenção ou defesa dos valores que são muitas vezes associados à nação, ao povo. Tudo acontece, mas de maneira muito sutil, a partir da imagem que construímos e que reconstruímos sobre nós próprios.
Não será tempo de pensar numa TVM melhor ?