terça-feira, 30 de novembro de 2010

Governo diz que incentiva investimentos no sector de habitação, porém, exige que os preços das casas em construção no país sejam acessíveis


O Governo moçambicano diz que incentiva investimentos no sector de habitação, porém, exige que os preços das casas em construção no país sejam acessíveis aos moçambicanos.

A vice-Ministra da Planificação e Desenvolvimento, Maria Lucas, disse, durante um encontro entre empreiteiros moçambicanos e portugueses, que o Governo não está de acordo com os preços das casas praticadas pelas imobiliárias, por serem muitos altos.

“Nós incentivamos a construção de casas para a habitação, mas não estamos de acordo com os preços dos apartamentos. O país está numa fase de desenvolvimento que não permite que sejam praticados preços como os actuais”, afirmou.

Maria Lucas defende que as empresas envolvidas na construção de imóveis para habitação devem melhorar os níveis de eficiência para que os preços das casas sejam acessíveis para a maioria da população moçambicana.

Estudos mostram que em Moçambique há défice de casas para habitação, sobretudo para os jovens, a camada maioritária.

Esta situação é resultado do facto de a população ter crescido drasticamente nos últimos anos, um processo que não foi acompanhado pelo desenvolvimento de habitações no país.

Segundo dados estatísticos, em 1978, Moçambique tinha 10.8 milhões de habitantes, um número que cresceu para cerca de 20 milhões em 2007.

Nos primeiros anos da independência de Moçambique, o Estado era o provedor de habitação aos cidadãos, gerindo 80 mil imóveis em todo o país.

A partir de 1995, quando iniciou a alienação dos imóveis a privados, o Estado deixou de ser provedor para passar a ser facilitador, criando condições para o sector privado investir neste sector.

Entretanto, as respostas do sector privado beneficiam apenas uma parte da população, por sinal, a minoria, dos moçambicanos.

Nos últimos anos, o país tem registado um movimento intenso de construção de habitações, porém na sua maioria são de luxo.

O preço mínimo de uma casa do tipo dois é superior a 50 mil dólares norte-americanos (1.8 milhões de meticais).

Fazendo os cálculos, um funcionário público licenciado aufere cerca de 17 mil meticais (480 dólares norte americanos), o que não o permitiria aceder a um empréstimo bancário para comprar uma casa, sobretudo devido à limitante do 1/3 estabelecido pelo Banco Central aliado às taxas de juro que são proibitivas.

PES e OE para 2011 dividem bancadas na AR


O PLANO Económico e Social e o Orçamento do Estado, ambos para o próximo ano, não estão a colher consenso a nível das três bancadas parlamentares।

Com efeito, o grupo da Frelimo na Assembleia da República defende a aprovação dos dois instrumentos alegando a sua pertinência e oportunidade, para além de irem de encontro ao previsto no Programa Quinquenal do Governo.

Por sua vez, a Renamo e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) referem que os dois documentos do Conselho de Ministros não acolhem a totalidade das sensibilidades dos moçambicanos na medida em que não espelham as aspirações pertinentes do povo no verdadeiro combate à pobreza.

Para a oposição, o PES não contempla políticas e estratégias de um combate cerrado e consequente contra a pobreza e o Orçamento do Estado é de cariz despesista, pois contempla e favorece grandes volumes do orçamento a sectores como o SISE, Presidência da República, Casa Militar, Ministério do Interior e Gabinete do ex-Presidente da República, que nada têm a ver com investimentos que conduzam ao combate e redução da pobreza no país.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"O País Vive Uma Crise de Valores e de Falta de Referências de Integridade" Desabafa Jorge Rebelo



“Há ministros que enriquecem à custa do sofrimento do povo”

“Perguntar ao Chefe de Estado” sobre as razões que levam gente honesta a ser “corrida do governo”.

Rebelo lançou uma crítica veemente a todos aqueles (sobretudo da classe governante) que, na sua opinião, vivem à custa do sofrimento do povo. Rebelo pronunciou-se nestes termos em resposta a uma inquietação de um jovem, que procurou saber qual era a opinião do ex-ideólogo da Frelimo em torno da corrupção que se instalou nas mais altas esferas de governação.

“O Governo é uma entidade abstracta. Dentro do governo existem ministros, vice-ministros, directores nacionais (...). alguns destes estão a enriquecer à custa do povo. Mas há também gente séria. O que me preocupa é ver esses sérios e honestos a serem corridos de lá. Conheço, por exemplo, o Dr. Ivo Garrido e sei que não é corrupto e nem está associado à corrupção, mas foi corrido do Governo. Eu não percebo porquê? Conheço também o Dr. Eneas Comiche e sei da luta que desenvolveu no Conselho Municipal visando acabar com esquemas de corrupção (...), mas ele também foi corrido”, lamentou Jorge Rebelo., acrescentando, “perguntar ao Chefe de Estado” sobre as razões que levam gente honesta a ser “corrida do governo”.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um Golpe contra a Vontade do povo: Ex Ministro da Saude Injustiçado?

Fundamento da culpa, a grandeza dos conflitos que criou com as agências doadores e o nicho mais elitista dos profissionais da área, a classe dos médicos.

Ivo Garrido recusou a casa protocolar que lhe destinavam, bem como as viaturas oficiais. Continuou a viver na sua casa de sempre e a deslocar-se no seu carro particular.

Eis o futuro, quem será que vira


O primeiro governo do nosso país (1975). Repare que, do lado esquerdo do presidente Samora Machel (ao meio, fila da frente), de braços atrás das costas, estão Jorge Rebelo, Alberto Chipande e Marcelino dos Santos. Nenhum deles foi presidente. Já assim não acontece do lado direito, digamos que do lado presidenciável dos braços como que em sentido. Depois da Samora, o presidente foi Joaquim Chissano (segundo do lado direito de Samora), agora o presidente é Armando Guebuza (à direita de Chissano). Quem resta? Bem, o terceiro, também do lado direito, é Mariano Matsinhe.

Quero acreditar que esteja nesta foto o futuro PR

Guebuza forçado a mexer no Executivo


Mais do que as asneiras e insuficiências dos titulares exonerados, onde não se pode esquecer o ministro-ladrão que ocupava a pasta dos Transportes à altura do 5 de Fevereiro, Guebuza só se pode queixar da sua própria teimosia ao acreditar piamente que a militância e o cumprimento de metas e objectivos seriam lenitivos suficientes para conduzir a sua equipa a bom porto. Desde 2005 que é evidente a falta de competência e massa crítica no topo do Aparelho de Estado. Esta característica, aliada a um culto esclerosado de personalidade, têm vindo paulatinamente a limitar outros contributos para o desenvolvimento do país, a começar pelo próprio partido Frelimo, onde se continuam a equacionar e estrategizar as principais políticas para o país.